sábado, 17 de dezembro de 2011

Aluísio

Um homem tem um carro
Ele e a mulher, uma casa
Os dois, um bicho

Moram todos juntos
E mais três filhos
Um menino, uma menina e uma tv

Azevedo

Um velho tem uma carroça
Ele e a mulher, um casebre
Os dois, três filhos

Moram todos juntos
E mais quatro bichos
Dois cachorros, um periquito e um nenê

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A espera

Todos esperavam ansiosos
Pelo bolo famoso de dona Vivi

Albertinho e os netos
Os irmãos e os bisnetos

Mas naquele domingo
Faltou fermento
Faltou cenoura

No sábado seguinte
Todos esperavam ansiosos
Pela torta de rabanete de dona Vivi

domingo, 20 de novembro de 2011

O contador

Queria ser escritor
Mas não conseguiu

Fez faculdade
E virou contador
De estórias com números

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sono bom

Com muito cuidado
Um homem velho
Ajeita como num rito
Um carrinho de supermercado

Diz ele aos céus
Que sono bom
Não precisa de travesseiro

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Bistrô

Quando Joaquina chamou Fernando
Na varanda da casa da vovó
Não deu outra

Fernando não resistiu
A uma sala perfumada
Com cheiro de café

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cidade

Caiu da árvore
Uma velha folha seca

Que no asfalto se tornou
A mais bonita flor

domingo, 4 de setembro de 2011

Primeira vez

Caminhou cinco passos
Com o guri na garupa
No sexto
Tropeçou e caiu

O guri continuou perplexo
Olhando para o mar

domingo, 21 de agosto de 2011

Doce velhice

Alcides
Eurico
Libório e
Torquato
Todos se lambuzam com creme russo
sentados num banco de praça
na esquina da rua do Passa-Quatro
espiados pelo cachorro Juvenal

sábado, 6 de agosto de 2011

Boa noite

Vovó, toda noite,
olha pra tela da tv
e se despede do apresentador

"Boa noite, senhor"
diz ela

Mal sabe o moço do jornal
que tem uma velha astuta
que dá bola pra ele

segunda-feira, 25 de julho de 2011

05:55

Foi por uma mancha negra de café
Na ponta branca do sapato
Que eu decidi

De agora em diante
Só uso sapato preto

domingo, 17 de julho de 2011

Os velhos da Pomerânia

Um prato de feijão no café
Dois mamãos papaia no almoço
É o suficiente
Foi o que me disse um velho da Pomerânia

Agora já se sabe o porquê
Dos velhos da Pomerânia
Serem tão bons em contar estórias
De trás pra frente

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Última parada

- Vai descer na próxima?
- Não sei, e tu?
- Depende.
Não desceram.
Continuaram juntos,
até o fim da linha.